Postado por: Alanna Libdy em: Entrevista, livro, Revista
“Ela é um modelo a ser seguido por tudo o que ela passou e o que ela é hoje” – Dianna sobre Demi em entrevista à PEOPLE

Dianna De La Garza, mãe de Demi Lovato, concedeu uma entrevista à revista PEOPLE, para promover seu livro “Falling with Wings: A Mother’s Story“, que está previsto para ser lançado em 6 de março, onde relembrou sobre seu passado como líder de torcida, seu casamento turbulento com Patrick, pai de Demi e Dallas, e os problemas que ela e suas duas primeiras filha enfrentaram por abuso de substâncias e outros distúrbios com a sua saúde mental. Confira a entrevista a seguir:

Em seu livro “memorial”, Dianna De La Garza, mãe de Demi Lovato, abre o jogo sobrer as batalhas de sua família sobre problemas psicológicos e vícios – e o torturante caminho de sua filha para o sucesso.

“Eu queria compartilhar esta história porque eu pensei que talvez existam pessoas lá fora que estão passando por algumas destas mesmas coisas que a minha família passou” Dianna, 55, fala à PEOPLE sobre seu livro “Falling with Wings: A Mother’s Story. “Issso talvez os ajude de alguma forma.”

Com os anos passados, Demi, agora com 25 anos, tem sido aberta sobre seus problemas com a desordem bipolar, bulimia e abuso de substâncias. Agora pela primeira vez, Dianna – em um excerto exclusivo na nova coluna da PEOPLE – revela sua propria jornada de recuperação da anorexia, depressão e abuso de Xanax*.

“Eu tenho tanto orgulho da minha mãe por conquistar algo que ela sempre quis – contar sua história”, Lovato, que escreveu o prefácio do livro, conta a PEOPLE. “Ela é resiliente, inspiradora e forte. Por conta da sua jornada e força para superar os obstáculos que ela enfrentou em sua vida, ela é minha heroína.”

Nacida “Dianna Hart” com pais estritamente cristãos, ela cresceu em Irving, Texas, e desenvolveu um amor por se apresentar na igreja. Depois de terminar o ensino médio, Dianna trabalhou uma temporada como líder de torcida do “Dallas Cowboys” antes de buscar uma carreira na música country. Em 1984, conheceu e logo casou com Patrick Lovato, que tornou-se seu empresário. Mas seu romance relâmpago logo tornou-se uma relação volátil e alimenta por drogas.

Dianna conta que Patrick, era um viciado e que supostamente viveu com uma não-diagnosticada desordem bibolar, tornou-se violento. O casal teve duas filhas – Dallas, em 1988, e Demetria “Demi” Devonne, em 1992 – depois de 10 anos de casados, Dianna abriu mão de seus sonhos de estrelato e saiu de seu casamento, tendo coragem para se divorciar em 1994.

“Eu pensei que poderia muda-lo, e eu acho que vítimas de violência domestica se sentem da mesma forma. Você nem sempre será capaz de mudar alguém, não importa o quanto você queira. Talvez chegue a um ponto onde o seu amor por essa pessoa talvez não seja o suficiente para te manter segura,” diz Dianna, que mudou-se para um abrigo de mulheres local quando decidiu largar Patrick, “Eu perguntaria-lhes perguntas como, “Eu estou fazendo o certo ao abrir mão da minha família?”

Dianna completa: “Eu já não sentia como se estivéssemos à salvo. Eu sabia que eu precisava sair disso.”

Como ela escreve em seu livro: “Quebrou meu coração perceber que as minhas meninas tiveram que ver e ouvir coisas que devem tê-las apavorado. Começar de novo como uma mãe solteira foi difícil. Mas eu finalmente me senti livre.”

Patrick Lovato morreu de câncer em 2013, e Dianna diz que suas filhas tiveram uma relação complicada com ele até lá.

“Pat tinha um bom coração. Ele realmente tinha. Ele amava a sua família; ele apenas tinha problemas com a sua saúde mental que nós nunca percebemos. E eu acho que ele ignorava esses problemas com drogas e álcool,” ela diz. “Eu sempre encorajei minhas filhas a terem uma relação com ele… contanto que ele fosse responsável e não às colocassem em perigo. Eu queria que elas o amassem. Elas conversavam com ele no telefone e tentaram ter um relacionamento com ele, até que ele se foi.”

Dianna casou com Eddie De La Garza em 1995. Conforme suas filhas cresciam, ela estava feliz ao ver que elas compartilhavam do seu amor pelo palco; ela as inscreveu em desfiles e show de talento. Mais tarde, após Demi completar 9 anos, ela fez uma audição e conseguiu um papel em Barney e Seus Amigos, onde conheceram a amiga da família Selena Gomez.

Dallas e Demi começaram a ter um leve sucesso no entretenimento. Dianna porém – que acabara de ter sua terceira filha, a futura atriz de Desperate Housewives, Madison, em 2001 – secretamente lidava com depressão e ansiedade. Mas Dianna tinha esperança que o sonho de Hollywood de sua família fosse aliviar suas lutas.

“Minhas filhas queriam ser estrelas, e a fórmula na minha cabeça era como: estrelato = dinheiro e reconhecimento = menos ansiedade e mais satisfação = menos depressçao e mais felicidade = vida de contos de fadas,” ela escreve em Falling with Wings.

Após o período de Demi em Barney em 2003, Dianna teve que coloca-la novamente em uma escola pública, onde ela sofreu bullying pela sua aparência e sua carreira de atriz.

Um dia Dallas chegou correndo na sala de jantar assustada. ‘Demi está visitando alguns sites realmente estranhos sobre anorexia e bulimia,‘” Dianna se lembra. “Suspirei. ‘Ela provavelmente os acessou por engano.’ fico aterrorizada quando eu me lembro. As vezes nós queremos desesperadamente acreditar no melhor sobre os nossos filhos e ignoramos o óbvio.”

Dianna revela que deixou passar um sinal similar quando em 2007, Demi estrelou ao lado de Jonas Brothers: Joe, Nick e Kevin Jonas “Camp Rock”, filme original do Disney Channel, e mais tarde em seu próprio show, Sunny Entre Estrelas.

“(Anos mais tarde) Eu encontrei o diário da Demi,” Dianna escreve em Falling with Wings. “Uma sentença em particular destruiu meu coração:‘Ninguém ama uma estrela do rock gorda. Acho que vou ter que morrer de fome para as pessoas gostarem de mim.”

Na época em que Demi completou 16, Dianna perdeu o controle de sua filha, que estava desobedecendo o toque de recolher e, ela suspeitava, se envolvendo com drogas e álcool.

“Todas as noites eu programava o alarme para as 2 horas da manhã. Se ela não estivesse em casa, eu ligava até ela vir pela porta da frente,” Dianna lembra em seu livro, “O que você diz para sua filha quando ela é quem está pagando a maior parte das contas?”

Em 2010, Dallas entrou secretamente em um centro de tratamento por abuso de substâncias. Mais tarde, no outono, Demi fez manchetes quando bateu na cara de sua dançarina em meio a uma turnê com os Jonas Brothers.

“Este foi o momento em que todos dissemos, como família: ‘Ela precisa de ajuda. Ela precisa sériamente de ajuda. E não importa o que aconteça com a sua carreira – nós precisamos focar em conseguir a ajuda que ela precisa,'” Dianna diz.

Dianna e Eddie imploraram a ela para buscar ajuda.

“‘Talvez todos estivessem melhor se eu já não estivesse aqui,’ ela suspirou, nos alarmando. Neste momento, eu não vi uma jovem de 18 anos se agarrando à sua carreira, eu vi uma criança que estava exausta e com medo,” Dianna lembra em Falling with Wings. Demi deu entrada em um centro de tratamento residencial em Chicago. “À medida em que o conselheiro de admissão fez perguntas, eu ouvi mais algumas revelações perturbadoras. Quando ela perguntou sobre drogas, meu queixo caiu. ‘Cocaína, tabaco e Adderall*, Demi respondeu. Meu sangue correu frio.”

Demi foi tratada por desordem bipolar, bulimia, auto-mutilação e abuso de substâncias no centro por três meses. Pouco depois, em 2011, a batalha de Dianna contra seus “demônios” secretos veio à tona.

“Eu tive esse colapso,” Dianna conta, e nota que vinha batalhando contra a anorexia desde a infância, batalhou contra o stress pós traumático de seu primeiro casamento, tornou-se viciada em Xanax e sentiu-se cansada pela depressão e pensamentos suicidas. “Minhas filhas chegaram pra mim e disseram, ‘Mãe, nós tivemos ajuda e estamos bem – agora é a sua vez,” conta Dianna, que entrou no mesmo centro de tratamento que ajudou Demi. “Eles fizeram essa intervenção por mim, fizeram as minhas palas e compraram a minha passagem. Estas coisas foram o que realmente definiram a nossa caminhada em família para tornar-nos mentalmente saudáveis.”

Refletindo, Dianna arrepende-se de não ter reconhecido os problemas de suas filhas mais cedo por conta de que seus próprios problemas à cegavam.
“Eu não percebi a extensão e o perigo do problema psicológico que elas tinham,” ela diz, “Eu não gosto da palavra culpa – culpa, pra mim, diz que “eu sabia o que eu estava fazendo, mas eu sabia de qualquer forma.’ Eu acredito de coração que se eu soubesse o quão perigosas as coisas estavam para elas naquele momento, e se eu soubesse antes o que eu sei agora sobre problemas com a saúde mental, eu teria feito mais. Eu teria feito as coisas diferente. Eu me sinto mal porque elas passaram por essas coisas em um momento na minha vida em que eu não percebia as minhas próprias barreiras.”

Conforme Dianna trabalhava em sua recuperação, tornou-se claro que Demi havia recaído, Dianna, Eddie e alguns entes queridos encenaram um “momento de vir pra Jesus” para ela no qual Dianna disse-lhe que ela não mais poderia ver sua irmã mais nova, Madison, enquanto ela estivesse usando. Demi concordou.

Foi o momento em que ela pegou seu telefone, quebrou e colocou em um copo de água, sinalizando que ela estava pronta para cooperar,”conta Dianna. “Ela abriu mão de seu telefone, suas chaves do carro, seus cartões de crédito, entrou em uma casa de sobriedade e seguiu o programa completamente.”

Dianna completa: “Ela nunca voltou atrás.”

De fato, após passar 12 meses na casa de sobriedade em Santa Monica, Demi está sóbria a mais de cinco anos hoje. A vocalista nomeada ao Grammy, cantora de “Sorry Not Sorry” está oferecendo sessões gratuitas de aconcelhamento pela casa de tratamento Cast Centers, a qual ela é co-proprietária com seu aconselhador pessoal Mike Bayer, em sua turnê mundial “Tell Me You Love Me”.

Dianna espera os outros busquem consolo na história de sua família.

“Eu costumava pensar que a sua missão na vida era que jovens garotas se inspirassem nela porque ela é uma ótima cantora,” Dianna diz sobre sua filha do meio. “Mas o seu propósito é muito maior. Eu me orgulho de Demi ser uma porta-voz sobre saúde mental e positiva sobre a imagem do corpo – ela é um modelo a ser seguido por tudo o que ela passou e o que ela é hoje.”

Tradução e adaptação: Equipe Demi Brasil

*Fármaco utilizado em distúrbios da ansiedade e em crises de agorafobia.

*Psicoestimulante constituído de mistura de sais de anfetamina.


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